Mico-Leão-da-Cara-Preta é vacinado contra febre amarela
Pela primeira vez, micos-leões-da-cara-preta foram vacinados contra a febre amarela. Em julho de 2026, três animais receberam a vacina no Parque Nacional do Superagui, no litoral norte do Paraná. Outros seis devem ser vacinados no litoral sul de São Paulo.
A notícia, publicada pela Folha de S.Paulo, mostra a ciência agindo antes da tragédia. A ideia é proteger a espécie antes que um surto a alcance.
Uma das espécies mais raras do mundo
O mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara), também chamado de mico-leão-caiçara, vive apenas em uma faixa da Mata Atlântica entre o litoral norte do Paraná e o litoral sul de São Paulo. Restam cerca de 400 indivíduos, segundo a Folha. A espécie está ameaçada de extinção e não há sinais de que a população esteja crescendo.
Com tão poucos animais, uma única doença pode ter um efeito devastador. Por isso, proteger cada grupo faz diferença para o futuro da espécie.
A lição do mico-leão-dourado
A febre amarela é uma das maiores ameaças aos primatas da Mata Atlântica. Entre 2016 e 2018, um surto atingiu bugios, saguis e macacos-prego, principalmente no Rio de Janeiro. Os primatas não transmitem a doença para pessoas: assim como nós, são vítimas do vírus, levado por mosquitos.
O mico-leão-dourado sentiu o golpe. A população da espécie caiu 32,4% e, na Reserva Biológica de Poço das Antas, passou de 380 para apenas 33 animais, segundo a UENF. Em 2020, a Associação Mico-Leão-Dourado, a UENF e a Fiocruz começaram a vacinar esses animais, numa iniciativa inédita no mundo. A experiência abriu caminho para proteger agora o seu "primo" de cara preta.
Ciência e parceria a serviço da conservação
A vacinação foi feita pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), com o ICMBio, a Fundação Florestal e a Fiocruz. O imunizante é uma adaptação da vacina humana, com vírus vivo atenuado, produzida pela Fiocruz. A ação faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas.
O trabalho não termina com a dose. Os pesquisadores vão coletar sangue dos animais em dois momentos para medir a resposta à vacina. Também planejam capturar outros dois grupos para vacinar ainda este ano.
Para nós, do Instituto Luisa Pinho Sartori, a iniciativa mostra como a conservação depende de pesquisa de qualidade e de instituições que trabalham juntas. É esse tipo de ciência que buscamos valorizar e incentivar entre os jovens pesquisadores.
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A reportagem da Folha traz os detalhes da operação no Superagui e os próximos passos do projeto. Vale a leitura para entender como se protege uma espécie tão rara.
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