Mitigação dos efeitos das mudanças climáticas em pequenas cidades do Brasil

Fábio Sartori • 2 de outubro de 2026

As mudanças climáticas são uma realidade, embora alguns ainda discutam se a causa principal é a ação humana ou não.

Os fatos incontestáveis, medidos e comprovados, são que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e mais intensos do que até alguns anos atrás, em todo o mundo. Então, resta a pergunta: o que fazer?

A ação em escala global ainda não é suficiente

Em escala global, defendemos a redução dos gases de efeito estufa pela ação humana na atmosfera, em ações combinadas de redução das emissões, compensação das emissões pelo plantio de florestas e restauração da vegetação natural nos diversos biomas, e sequestro e captura de carbono diretamente da atmosfera.

Mas, enquanto essas ações não ganham a escala necessária, e consequentemente não produzem os efeitos desejados, permanece a pergunta: o que fazer?

Conviver e se preparar para os eventos extremos

Uma resposta possível seria: aceitar que por um bom período teremos que conviver com eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos, e preparar a infraestrutura existente para suportar essa nova situação.

Trata-se, basicamente, de proteger as pessoas e suas atividades, mantendo o funcionamento dos sistemas e aumentando a resiliência das cidades para sobreviver às novas condições.

Por onde começar: a análise de risco municipal

Proponho a realização de Análise de Risco, em escala municipal, para:

  • Identificar os pontos frágeis da infraestrutura local
  • Listar as ações necessárias
  • Priorizar as ações identificadas
  • Executar o plano

Um exemplo prático

 Risco identificado: com o aumento da intensidade das chuvas, municípios com estradas não pavimentadas passam a ter o risco de interrupção do transporte interno aumentado, seja pelo desabamento de pontes, das próprias estradas, alagamentos e inundações. As consequências serão a perda da produção, perdas econômicas por interrupção das atividades, perda de dias de aulas (o transporte escolar será interrompido mais vezes por ano).

 Ações mitigatórias:

  • Inspecionar e reforçar ou reformar as pontes
  • Melhorar o escoamento de água nas estradas com pequenas obras
  • Pavimentar ou melhorar o piso das estradas com técnicas mais adequadas (ao invés de simplesmente "passar a patrola" periodicamente)
  • Considerar o uso de veículos mais adequados ao estado ruim das estradas, ao invés de velhas Kombis

Outras frentes de ação

Podemos pensar também em:

  • Identificar e remover árvores perto de escolas, residências e hospitais antes que caiam
  • Verificar as estruturas de ginásios esportivos e outros grandes prédios públicos que terão que ser inspecionadas e reforçadas
  • Melhorar o escoamento de águas pluviais e os sistemas de captação e tratamento de água
  • Remover residências de áreas de risco

O momento de agir é agora

Nada disso é fácil ou barato. Nem vai ficar pronto rapidamente. Por isso, temos que começar imediatamente, e o primeiro passo é analisar, séria e criteriosamente, os riscos presentes em nossas cidades, no dia a dia das pessoas.

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