Mitigação dos efeitos das mudanças climáticas em pequenas cidades do Brasil
As mudanças climáticas são uma realidade, embora alguns ainda discutam se a causa principal é a ação humana ou não.
Os fatos incontestáveis, medidos e comprovados, são que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e mais intensos do que até alguns anos atrás, em todo o mundo. Então, resta a pergunta: o que fazer?
A ação em escala global ainda não é suficiente
Em escala global, defendemos a redução dos gases de efeito estufa pela ação humana na atmosfera, em ações combinadas de redução das emissões, compensação das emissões pelo plantio de florestas e restauração da vegetação natural nos diversos biomas, e sequestro e captura de carbono diretamente da atmosfera.
Mas, enquanto essas ações não ganham a escala necessária, e consequentemente não produzem os efeitos desejados, permanece a pergunta: o que fazer?
Conviver e se preparar para os eventos extremos
Uma resposta possível seria: aceitar que por um bom período teremos que conviver com eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos, e preparar a infraestrutura existente para suportar essa nova situação.
Trata-se, basicamente, de proteger as pessoas e suas atividades, mantendo o funcionamento dos sistemas e aumentando a resiliência das cidades para sobreviver às novas condições.
Por onde começar: a análise de risco municipal
Proponho a realização de Análise de Risco, em escala municipal, para:
- Identificar os pontos frágeis da infraestrutura local
- Listar as ações necessárias
- Priorizar as ações identificadas
- Executar o plano
Um exemplo prático
Risco identificado: com o aumento da intensidade das chuvas, municípios com estradas não pavimentadas passam a ter o risco de interrupção do transporte interno aumentado, seja pelo desabamento de pontes, das próprias estradas, alagamentos e inundações. As consequências serão a perda da produção, perdas econômicas por interrupção das atividades, perda de dias de aulas (o transporte escolar será interrompido mais vezes por ano).
Ações mitigatórias:
- Inspecionar e reforçar ou reformar as pontes
- Melhorar o escoamento de água nas estradas com pequenas obras
- Pavimentar ou melhorar o piso das estradas com técnicas mais adequadas (ao invés de simplesmente "passar a patrola" periodicamente)
- Considerar o uso de veículos mais adequados ao estado ruim das estradas, ao invés de velhas Kombis
Outras frentes de ação
Podemos pensar também em:
- Identificar e remover árvores perto de escolas, residências e hospitais antes que caiam
- Verificar as estruturas de ginásios esportivos e outros grandes prédios públicos que terão que ser inspecionadas e reforçadas
- Melhorar o escoamento de águas pluviais e os sistemas de captação e tratamento de água
- Remover residências de áreas de risco
O momento de agir é agora
Nada disso é fácil ou barato. Nem vai ficar pronto rapidamente. Por isso, temos que começar imediatamente, e o primeiro passo é analisar, séria e criteriosamente, os riscos presentes em nossas cidades, no dia a dia das pessoas.













