Quais são as consequências das florestas vazias para o clima?

Equipe ILPS • 20 de junho de 2024

Há décadas, cientistas estudam os efeitos das mudanças climáticas e a ideia de que precisamos preservar nossas florestas. Esse tema tem atraído cada vez mais atenção da sociedade. 

À primeira vista, a criação de grandes parques e áreas de conservação parece um grande avanço, mas não podemos deixar florestas repletas de árvores nos enganar que tudo está bem. Essa foi a defesa que Kent Redford colocou em seu renomado artigo “The Empty Forest”, publicado em 1992.


A verdadeira realidade das florestas sul-americanas 

No artigo de Kent Redford nos leva a conhecer a verdadeira realidade das florestas sul-americanas, que atualmente são consideradas “mortas-vivas” devido ao desaparecimento abrupto de espécies fundamentais para as interações ecológicas desse ambiente. 

Chamamos esse fenômeno de “defaunação” e o artigo revela que a sua principal causa é a caça, uma prática frequente desde antes da chegada dos europeus nas Américas. Isso é muito problemático, já que os cientistas afirmam que florestas defaunadas tem seu potencial de armazenamento de carbono reduzido drasticamente (Bello et al., 2015), o que é refletido nas mudanças que vemos hoje em dia: enchentes avassaladoras, altas temperaturas registradas principalmente em zonas urbanas, incêndios florestais recorrentes e muito mais.

As catástrofes climáticas como resultado da defaunação

As catástrofes que afligiram o Rio Grande do Sul estão intimamente relacionadas com grandes fenômenos climáticos. O El Niño é uma anomalia climática que provoca o aquecimento das águas do oceano pacífico equatorial, o que, por consequência, provoca uma série de mudanças no clima, em especial a região central do Brasil mais seca e a região Sul mais chuvosa. 

O problema é que a cada ano esses efeitos ficam mais intensos devido ao aquecimento da temperatura global, e, em 2024, o resultado foi a morte de milhares de pessoas no nosso país.

A elevação das temperaturas globais está relacionada à emissão de gases do efeito estufa, principalmente o gás carbônico. Atualmente, a Amazônia é responsável pelo sequestro de 20% do carbono emitido no mundo, no entanto, os efeitos da defaunação vem reduzindo cada vez mais essa porcentagem. 

Sem espécies de aves e mamíferos grandes, não ocorre a dispersão de grandes sementes, que tipicamente estão associadas a árvores de maior porte. Por isso, essas árvores perdem espaço para árvores de menor porte e que, portanto, aportam menos carbono.

Além de preservar nossas florestas, é preciso preservar a fauna, para que possamos mitigar os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. Uma floresta vazia é uma floresta condenada (Redford, 1992).



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