A natureza pode nos proteger. Mas primeiro precisamos parar de destruí-la
Há poucos dias visitei o Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais. Eu conhecia sua história, mas existe uma diferença enorme entre conhecer um projeto por fotografias e relatórios e caminhar por uma área que, há menos de três décadas, era uma fazenda profundamente degradada pela atividade pecuária.
O trabalho de restauração começou em 1998. Hoje, onde havia solo degradado e pouca vegetação, vemos vários hectares cobertos por árvores.
À primeira vista, é uma transformação extraordinária. E realmente é.
Mas a visita me provocou uma reflexão talvez ainda mais importante: destruir um ecossistema pode ser relativamente rápido. Reconstruí-lo exige décadas de trabalho, conhecimento, persistência e muito dinheiro.
E mesmo depois de quase trinta anos, a natureza que retorna não é necessariamente a mesma que existia antes.
Na área que visitei, a floresta plantada ainda apresenta diversidade relativamente pequena, com algo em torno de sete a dez espécies predominantes, e precisa continuar sendo enriquecida. Durante o inverno, muitas das árvores perdem completamente suas folhas. A paisagem que originalmente deveria corresponder à Mata Atlântica assume, em determinados períodos, uma aparência que lembra mais um cerrado de árvores altas.
Não significa que a restauração tenha fracassado. Muito pelo contrário.
Significa que reconstruir a complexidade da natureza é extraordinariamente difícil.
E essa talvez seja uma das lições ambientais mais importantes do nosso tempo.
Estamos descobrindo quanto a natureza vale justamente quando mais precisamos dela
Recentemente li um artigo de Ani Dasgupta, presidente do World Resources Institute, que começa com uma frase provocadora: a melhor defesa contra os chamados "desastres naturais" pode ser a própria natureza.
A afirmação parece simples. Mas suas implicações são enormes.
Em 2026, acompanhamos novamente incêndios devastadores na Europa, ondas de calor em diferentes continentes, enchentes e outros eventos extremos. Continuamos frequentemente tratando cada um deles como acontecimentos independentes: o incêndio na França, o calor na Espanha, a inundação em determinada cidade.
Mas eles acontecem em um planeta que está mais quente.
As emissões humanas de gases de efeito estufa estão alterando as condições em que os fenômenos naturais ocorrem. Os últimos onze anos foram os mais quentes já registrados. Nos Estados Unidos, a temporada média de ondas de calor já é 46 dias mais longa do que na década de 1960. E incêndios queimam atualmente aproximadamente o dobro da área florestal que queimavam vinte anos atrás.
Portanto, quando discutimos mudanças climáticas, precisamos parar de falar apenas de 2050.
O problema já chegou.
Precisamos continuar reduzindo emissões, e com urgência. Mas precisamos simultaneamente adaptar nossas cidades e nossas comunidades a um clima que já mudou.
É aí que natureza, biodiversidade e resiliência climática passam a fazer parte da mesma discussão.










