Esforços para a recuperação da Mata Atlântica através da concessão da Floresta Nacional

Maria Luiza de Oliveira Castro • 27 de junho de 2023

Segundo post da série

Veiculada no site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em 23/06/23, a notícia de concessão florestal de três florestas nacionais da Mata Atlântica tem seu merecido destaque. O objetivo principal é a restauração de ambientes degradados durante os 35 anos de concessão, podendo resultar na obtenção de créditos de carbono. Até então, o Serviço Florestal Brasileiro só havia realizado concessões para manejo sustentável em florestas nativas na Amazônia. 


Cabe aqui um pequeno parênteses: Florestas nacionais, são Unidades de Conservação de uso sustentável com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas, que tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas. A previsão desse tipo de área natural protegida remete ao Código Florestal de 1934. No primeiro
post, discorri sobre curiosidades das UCs e abordei a primeira área natural protegida do Brasil, que coincidentemente é hoje uma Floresta nacional.


As três Florestas Nacionais em licitação são da região Sul do país: Flona de Irati, no Paraná, e de Chapecó e Três Barras, em Santa Catarina. No zoneamento ambiental há Unidades de Manejo Florestal, classificadas como zona de manejo florestal ou zona de recuperação florestal. Nessas áreas, são esperadas as seguintes atividades econômicas:


• produtos madeireiros – supressão vegetal para obtenção de toras de madeiras

• produtos não madeireiros - produtos florestais não lenhosos, incluindo folhas, raízes, cascas, frutos, sementes, exsudados, gomas, óleos, látex e resinas de espécies arbóreas ou arbustivas;

• créditos de carbono – exploração sujeita a regulamentação a ser estabelecida;

• outros serviços – como capacitação em atividades florestais (vedado o turismo).


Ao todo, as unidades de manejo florestal nessas três Flonas somam 6.843,43 hectares.


De acordo com o edital da licitação, a ideia é substituir plantios de espécies exóticas por plantios de florestas de espécies nativas, de forma a ampliar os conhecimentos sobre o cultivo destas espécies e a recuperar a vegetação nativa. Em plantios já instalados de araucária será permitida a colheita parcial das árvores até que se atinja uma condição ambiental similar à ocorrência desta espécie na floresta nativa, criando-se um ambiente favorável à instalação de outras espécies na Mata Atlântica.


No dia em que foi lançado o edital para concessão das três Flonas do Sul do país, foi também assinado o contrato de concessão da Flona do Humaitá, com 38 hectares, localizado na região amazônica.


O Brasil já conta com mais de 1,3 milhão hectares concedidos em Flonas e há a expectativa de que no final de 2024 seja atingida a marca de 3 milhões de hectares concedidos. Ambição ousada que requer muito planejamento e organização por parte do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em sinergia com a Casa Civil, já que as concessões fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos, mediante o de acordo do Tribunal de Contas da União quanto às propostas de editais. 


Importante dizer que a fiscalização do manejo florestal e de todas as atividades incidentes na área concedida permanece a cargo do ICMBio. 


Dentre os usos pretendidos, o crédito de carbono requer regulamentação específica, respeitando-se critérios como adicionalidade, em que as reduções de emissões não ocorreriam sem o desenvolvimento do projeto associado, e permanência, que determina que a remoção de CO2 deve ter sua permanência garantida. O crédito de carbono é um importante instrumento para mitigação do impacto de contribuição para o efeito estufa, além de todos os co-benefícios da restauração de biomas e o Brasil tem um potencial enorme para assumir o protagonismo do mercado de carbono.


Vou ficando por aqui...Escrever no blog do Instituto Luisa é uma grande honra para mim. Espero que estejam gostando. Não deixem de acompanhar as próximas postagens! 😉

Por Equipe ILPS 14 de setembro de 2026
Enquanto cidades se mobilizam contra o calor extremo com a iniciativa Beat the Heat, o oceano brasileiro já sente o impacto.
Smoke rising from a brush fire in a dry, open landscape under a clear sky
Por Equipe ILPS 12 de setembro de 2026
2026 já é um ano recorde de incêndios florestais no mundo, e o Brasil entra na fase mais crítica da estação seca com um El Niño em intensificação. Entenda os dados!
Árvores jovens crescendo em uma encosta ensolarada sob um céu claro, com uma floresta ao fundo.
Por Cristina Pinho 11 de setembro de 2026
Uma reflexão sobre a restauração do Instituto Terra em Aimorés, MG, e por que proteger a natureza é hoje parte central da resposta às mudanças climáticas.
Audience watches a presentation in a restaurant, with a speaker beside a large screen showing a seaside scene.
Por Equipe ILPS 5 de agosto de 2026
ILPS expande atuação acadêmica e homenageia a Dra. Krithi Karanth com um jantar beneficente em São Paulo, no dia 6 de outubro. Inscreva-se e participe dessa causa.
Por Equipe ILPS 5 de agosto de 2026
Em outubro de 2025, recebemos com tristeza a notícia da morte da extraordinária Jane Goodall, uma das maiores referências mundiais na defesa da natureza e dos animais.
Turtle with a domed brown shell and striped head resting on a log outdoors
Por Fábio Sartori 4 de agosto de 2026
Conheça um dos resultados dos estudos e trabalhos premiado pelo ILPS
Por Fábio Sartori 3 de agosto de 2026
De 20 a 22 de outubro, fui conhecer de perto o projeto “Manejo participativo de quelônios”, da bióloga Kathellen Magalhães, mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Acre. O projeto foi contemplado no Programa Jovens Talentos para a Conservação em 2024, concorrendo com 64 candidatos de todo o Brasil, e é totalmente patrocinado pela Karoon Energy.  Mas, valeu a pena estar lá naquele momento mágico da vida!
Por Equipe ILPS 31 de julho de 2026
No ILPS, acreditamos que a formação de um jovem profissional vai muito além do conhecimento técnico adquirido em sala de aula.
Leroy Ignacio segurando um pequeno pássaro colorido no dedo em uma área arborizada, usando bon
Por Equipe ILPS 29 de julho de 2026
Há mais de uma década, o Instituto Luísa Pinho Sartori mantém um compromisso especial com a BioSemana UFRJ . Desde 2010 pelas mãos da família de Luísa, e a partir de 2015 pelo próprio Instituto, patrocinamos a Palestra de Abertura do evento — um espaço que já recebeu nomes como Dr. Stuart Pimm, Dr. Carl Jones e Dra. Asha de Vos, referências mundiais na conservação ambiental. Neste ano, para celebrar essa trajetória e aprofundar o encontro entre nossa comunidade e um convidado tão especial, preparamos algo novo: o Jantar BioSemana UFRJ , uma noite pensada para reunir, em um ambiente intimista, quem acredita que proteger a biodiversidade também é proteger conhecimentos e histórias de vida. Um convidado que representa uma virada de olhar O nome escolhido pela Comissão Organizadora da BioSemana deste ano carrega um significado especial: Leroy Ignacio , indígena do povo macuxi, da região de Rupununi, na Guiana. Sem formação acadêmica em Biologia, Leroy foi peça-chave na conservação do tarim — o ameaçado pintassilgo-da-Venezuela —, unindo saber tradicional e ciência em um dos exemplos mais admirados de conservação comunitária das Américas. Seu trabalho já rendeu reconhecimento internacional, incluindo o Whitley Award , conhecido como o "Oscar da Conservação", e hoje ele preside a South Rupununi Conservation Society . A vinda de Leroy ao Brasil, com todas as despesas custeadas pelo ILPS, é também um símbolo do que defendemos: a valorização do conhecimento tradicional como parte essencial — e urgente — do debate sobre conservação ambiental. Uma noite para ouvir, trocar e se inspirar O Jantar BioSemana UFRJ acontece no dia 31 de agosto, às 19h, no Rubaiyat Rio (R. Jardim Botânico, 971), em um formato pensado para ir além da plateia: uma conversa próxima, em clima acolhedor, com quem viveu na prática o encontro entre tradição indígena e ciência da conservação. Temos a alegria de contar com o Rubaiyat Rio não apenas como sede, mas como parceiro genuíno dessa causa — um espaço que abraça a proposta do evento e se soma a nós na divulgação e na construção dessa noite tão especial. Uma parceria que reforça algo em que acreditamos: iniciativas de conservação crescem quando encontram aliados dispostos a emprestar seu espaço, sua rede e seu cuidado. Participe dessa noite Reservar um lugar no Jantar BioSemana UFRJ é garantir uma experiência rara: estar perto de uma história de conservação que atravessou fronteiras, línguas e saberes — e que agora chega até nós. Inscreva-se e reserve seu lugar: 👉 https://forms.gle/ZAMWiv7Uv4EZbfWJA As vagas são limitadas. Esperamos você lá. Confira alguns vídeos da edição passada
Fábio Sartori, vestindo uma camiseta preta com uma árvore branca estampada.
Por Equipe ILPS 29 de julho de 2026
Toda causa precisa de quem sonhe com ela e de quem a faça acontecer todos os dias.