Manejo participativo de quelônios - parte 1
De 20 a 22 de outubro, fui conhecer de perto o projeto “Manejo participativo de quelônios”, da bióloga Kathellen Magalhães, mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Acre.
O projeto foi contemplado no Programa Jovens Talentos para a Conservação em 2024, concorrendo com 64 candidatos de todo o Brasil, e é totalmente patrocinado pela Karoon Energy.
Mas, valeu a pena estar lá naquele momento mágico da vida!

O ponto de partida é a base da ONG SOS Amazônia, em Cruzeiro do Sul. Além da Kathellen, participou do trabalho de campo a engenheira florestal Maria Pamela Ferreira Oliveira, técnica de campo da SOS Amazônia. O destino era a Comunidade Carlota, à beira do rio Juruá, distante cerca de três horas e meia rio acima em canoa motorizada (“rabeta”).
De saída, minha admiração pela tenacidade e disposição das duas jovens: a canoa não tem cobertura, o sol é implacável, o motor é muito barulhento, e não há conforto nenhum nos pequenos bancos de alumínio.
Barco-Escola
Já na comunidade, tive a primeira visão de filhotes de iaçá (Podocnemis sextuberculata), um dos três quelônios do rio Juruá que são objeto do projeto (os outros dois são a tartaruga-gigante-da-Amazônia Podocnemis expansa - e o tracajá - Podocnemis unifilis). Havia 24 filhotes, provenientes de dois ninhos diferentes, com 16 dias de idade.
Os monitores identificam os ninhos logo após a postura das fêmeas, recolhem os ovos e os depositam em novos ninhos em locais protegidos, na praia em frente à comunidade, onde é possível observá-los com mais facilidade. Quando os ovos eclodem, eles recolhem os filhotes e os mantém em bacias ou caixas d’água até estarem prontos para a soltura no rio. Os filhotes da tartaruga-gigante-da-Amazônia tem que ser soltos na mesma praia onde ocorreu a desova.
Foi comprovado por leitura de sonar que as fêmeas ficam no rio emitindo sinais de ecolocalização para os filhotes, na época da eclosão dos ovos. A soltura é feita pela manhã, para que os filhotes tenham mais tempo para buscar os remansos do rio, “lagos” onde ficarão se alimentando até atingirem um porte adequado para se aventurarem no rio. Foi emocionante ver a corrida dos filhotes para o rio. Alguns ficam parados, como se ainda sem saber o que fazer, e, de repente, tomam o rumo do rio a toda pressa! Outros já vão direto, sem titubear.

Esse processo de soltura controlada aumenta a chance dos filhotes atingirem a vida adulta, embora ainda não tenhamos métricas bem estabelecidas. Mas, valeu a pena estar lá naquele momento mágico da vida!
Pude ter uma boa perspectiva de como é realizado o trabalho de campo, as dificuldades dos jovens conservacionistas para executar seus projetos, e a importância fundamental do apoio dado pelo Instituto Luísa Pinho Sartori para que projetos como esse saiam do papel e se tornem realidade, possibilitando o aprendizado e ganho de experiência dos alunos.











