Formando a próxima geração de conservacionistas: conheça Henriq Narcizo, da equipe do ILPS
No ILPS, acreditamos que a formação de um jovem profissional vai muito além do conhecimento técnico adquirido em sala de aula.
É no contato com desafios reais, com a responsabilidade de contribuir para causas relevantes e com a necessidade de comunicar ciência de forma clara e acessível que se constrói uma trajetória verdadeiramente transformadora.
Receber um estagiário no Instituto é, portanto, mais do que oferecer uma oportunidade de aprendizado — é convidar esse jovem a participar ativamente de uma missão que envolve a preservação da biodiversidade, o engajamento da sociedade e a construção de pontes entre conhecimento científico e ação prática.
Ao longo do estágio, buscamos proporcionar uma experiência ampla, que combina o desenvolvimento de habilidades técnicas com competências cada vez mais essenciais na formação de um biólogo contemporâneo. Essa experiência inclui a capacidade de comunicar ideias com clareza, compreender a importância da construção de marca institucional, atuar na gestão de projetos e produzir conteúdos técnicos com rigor e relevância.
Acreditamos que esse conjunto de experiências não apenas complementa a formação acadêmica, mas pode, de fato, influenciar de maneira decisiva a forma como esses jovens enxergam seu papel no mundo — como profissionais e como agentes de transformação.
É nesse contexto que apresentamos o Henriq Narcizo, que passa a integrar o ILPS trazendo curiosidade, disposição para aprender e o desejo de contribuir para causas que fazem a diferença.

Para começarmos, conte um pouco sobre você. Quem é o Henriq além da formação acadêmica?
Aos 21 anos, já me considero uma pessoa de muitas paixões, que abrangem desde animais e música até desenho e design gráfico. Além disso, apesar de cursar Biologia, sempre gostei bastante das aulas de História e Geografia e sou fascinado pela dimensão geopolítica das discussões sobre o meio ambiente.
Também sou muito inspirado por minha mãe e outros professores a seguir carreira como educador, uma frente que tenho como mentor voluntário da ONG Soul Bilíngue, de ensino de inglês para jovens adultos de baixa renda, além de participar de projetos de Extensão voltados à divulgação científica e educação ambiental.
Para fazer jus ao imenso privilégio que é morar no litoral, eu tenho buscado o máximo de contato possível com o ambiente marinho, visitando praias, manguezais e praticando natação no mar.
O que te motivou a escolher a Biologia como caminho profissional? Houve algum momento ou influência decisiva nessa escolha?
Até meu último ano do Ensino Médio, eu pensei que queria cursar Medicina, já que gostava de estudar Ciências e Biologia. Mas foi na reta final da minha vida escolar que tudo se alinhou. Sempre fui apaixonado por animais e, quando comecei a estudar sobre veganismo, me deparei com as informações sobre o impacto ambiental da pecuária e pesca. Num esforço que se iniciou por questões éticas de bem-estar animal, eu descobri meu verdadeiro propósito: a conservação do meio ambiente.
Sabe quando você acabou de tomar ciência de algo que sempre esteve ali mas, de repente, começa a notar aquilo o tempo todo desde então? Naquele mesmo ano (e dali em diante) eu passei por experiências que só reforçaram que eu estava fazendo a escolha certa. Aos 16 anos, eu presenciei o resgate de um golfinho encalhado na praia de Copacabana, e esta foi a primeira de uma longa lista de motivações para minha luta pela conservação ambiental, impulsionada pelas minhas vivências em uma das melhores universidades do país.
O que despertou seu interesse em estagiar no ILPS?
Desde que conheci o Instituto, na apresentação da Semana de Biologia da UFRJ aos calouros de 2022, sabia que precisava fazer parte desse movimento. Ter assistido às Palestras Luísa Pinho Sartori no evento, e até ajudado a tornar algumas delas possíveis como membro da Comissão Organizadora da BioSemana UFRJ, só confirmou mais ainda este sentimento.
Quais são suas expectativas para esse período de estágio? Que tipo de experiência você espera vivenciar no dia a dia do ILPS?
Percebo o quão sério e relevante é o propósito do ILPS e vejo muitas oportunidades de crescimento pessoal e profissional em fazer parte de sua história.
Por exemplo, anseio por oportunidades de networking com renomados profissionais da conservação e demais entusiastas, de participação em eventos, desenvolvimento das minhas capacidades de comunicação assertiva e atuação com públicos diversos, dentre outras.
Dentro das áreas de atuação do ILPS, existe algum tema ou projeto que mais te interessa neste momento? Por quê?
Atualmente, a atuação do ILPS que mais me brilha os olhos é o patrocínio a eventos universitários, como a BioSemana UFRJ, ao possibilitarem a participação de conservacionistas mundialmente renomados. Todo ano, a Palestra Luísa Pinho Sartori é o espaço com maior adesão e mais elogiado do evento, é realmente uma experiência transformadora para jovens conservacionistas!
Saber que esta proposta está se ampliando e já chegará em São Paulo este ano, para a Semana Temática de Biologia da USP, me alegra bastante. É incrível ver o aumento de visibilidade dos temas ambientais e testemunhar o papel do ILPS na democratização do acesso a tais conhecimentos, apresentados diretamente pelos próprios vanguardistas da conservação.
Como você acredita que essa experiência no ILPS pode contribuir para sua formação como biólogo?
Sinceramente, ainda não bati o martelo sobre com o que quero trabalhar. Mas minha única certeza, e que está perfeitamente alinhada com o ILPS, é que me dedicarei à conservação do meio ambiente.
Após a graduação, pretendo cursar mestrado relacionado a Ecologia, Mudanças Climáticas e Biodiversidade, e minha experiência numa ONG de fomento à conservação certamente será um importante diferencial. Além disso, as vivências de gestão e comunicação me equiparão com habilidades valiosíssimas para o mercado de trabalho.
Na sua visão, qual é o papel de iniciativas como o ILPS na preservação da biodiversidade no Brasil?
Seria maravilhoso que o Brasil valorizasse suficientemente o desenvolvimento científico em prol do meio ambiente e que todas as iniciativas tivessem o devido reconhecimento e financiamento para alcançarem o impacto positivo que pretendem.
Mas, enquanto esta não é a realidade, iniciativas civis como o ILPS ajudam a suprir esta lacuna por meio de atuações como o Prêmio Luísa e o Programa Jovens Talentos para a Conservação, que fornecem os meios necessários para viabilizar projetos revolucionários encabeçados por jovens conservacionistas no país.
Além disso, eu acredito veementemente na nossa capacidade, enquanto espécie humana, de recalcular rota e direcionar todos os esforços possíveis à conservação e recuperação do ambiente natural, apesar da extensão dos impactos humanos. Para mim, o cerne da solução está na educação e conscientização promovida por organizações como o ILPS.
Olhando para o futuro, que tipo de profissional você deseja se tornar e que impacto gostaria de gerar na área ambiental?
Mais do que em um cargo ou organização específica, eu gosto de me imaginar como um profissional bem-sucedido, em todos os sentidos do termo, na minha missão de conservar a natureza. Quero me manter fiel aos meus valores e não me acomodar com pouco, com a monotonia, estar sempre em constante evolução e tomando ações que realmente façam a diferença, mesmo que isso implique em estar sempre longe da zona de conforto.
Acima de tudo, espero me tornar um amplificador das mensagens do Dr. Carl Jones, das Dras. Fernanda Abra, Gabriela Rezende e Asha de Vos e dos demais gigantes da conservação que se conectaram comigo e centenas de outros jovens conservacionistas brasileiros graças à atuação do ILPS, e que este siga sendo um farol de esperança para um futuro diferente em meio à tanta desmotivação, um futuro digno no nosso planeta, o único lugar onde podemos viver.











